O Cinema Fernando Lopes apresenta esta semana uma programação que reafirma o seu compromisso com o cinema contemporâneo de autor. Em destaque está a estreia de PAI, MÃE, IRMÃ, IRMÃO, o mais recente filme de Jim Jarmusch, acompanhado por Kontinental ’25, de Radu Jude — duas propostas exigentes e complementares, pensadas para o grande ecrã.
Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza 2025, Pai, Mãe, Irmã, Irmão é uma das obras mais pessoais do realizador norte-americano. Estruturado como um tríptico, o filme acompanha três encontros familiares em diferentes países e fases da vida, observando, sem julgamentos nem moralizações, as complexidades das relações entre pais, filhos e irmãos. Jarmusch filma o quotidiano com o seu habitual rigor: planos contidos, diálogos depurados, silêncios carregados de significado e um humor discreto, por vezes melancólico.
Rodado entre os Estados Unidos, Dublin e Paris, o filme confirma um cinema atento aos pequenos gestos e às emoções subtis, onde o que fica por dizer é tão importante como a palavra. É um trabalho de maturidade, que confia na inteligência do espectador e recusa conclusões fechadas.
O elenco reforça essa densidade emocional. Adam Driver volta a colaborar com Jarmusch, acompanhado por Cate Blanchett, Charlotte Rampling, Vicky Krieps e Mayim Bialik, num conjunto de interpretações contidas e precisas. A presença de Tom Waits acrescenta uma nota singular, quase mítica, a um filme profundamente humano.
A receção crítica tem sido amplamente positiva. Variety e The Hollywood Reporter sublinharam a serenidade e a maturidade da obra, enquanto publicações europeias como a Cahiers du Cinéma e a Little White Lies destacaram a elegância formal e a coerência de um filme que dialoga de forma exemplar com toda a filmografia do realizador.
No Cinema Fernando Lopes, PAI, MÃE, IRMÃ, IRMÃO encontra o contexto ideal para ser visto: a sala escura, o tempo desacelerado e a atenção plena. Uma obra maior de um autor essencial, a não perder.


