Falar sobre a morte com crianças pode parecer, à primeira vista, um tema difícil ou desconfortável. No entanto, a curiosidade, o humor e o espanto com que os mais novos abordam esta questão mostram que pensar a morte é também uma forma de compreender melhor a vida. É precisamente a partir dessa premissa que surgem duas oficinas de filosofia para famílias, a realizar no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
Inseridas num contexto simbólico e profundamente evocativo, estas oficinas propõem um espaço de diálogo onde o pensamento se desenvolve entre o visível e o ausente, entre o silêncio do lugar e as palavras que nele ganham corpo. Filosofar num cemitério transforma-se, assim, numa experiência concreta e sensível, em que as ideias emergem do contacto direto com o espaço, a memória e a imaginação.
As atividades destinam-se a famílias com crianças entre os 7 e os 11 anos e decorrem em dois momentos distintos. A primeira oficina, intitulada “O que é que te faz mexer os ossos?”, realiza-se no dia 25 de janeiro de 2026 (domingo), entre as 10h30 e as 11h45, convidando os participantes a refletir sobre o movimento, a vida e aquilo que nos anima por dentro. A segunda sessão, “O que fazer com as perguntas fatais?”, acontece a 22 de fevereiro de 2026 (domingo), no mesmo horário, abrindo espaço para acolher e pensar as grandes questões que surgem quando se fala de morte — e que tantas vezes ficam sem resposta.
A mediação do diálogo estará a cargo de Joana Rita Sousa, contando ainda com a presença da investigadora cemiterial Gisela Monteiro, cuja investigação e conhecimento do espaço enriquecem a experiência, cruzando reflexão filosófica, património e memória.
As inscrições são gratuitas, mas limitadas, e devem ser efetuadas através do e-mail cemiterios.visitas@cm-lisboa.pt. Estas oficinas afirmam-se como uma proposta singular no panorama cultural lisboeta, promovendo uma abordagem sensível, aberta e partilhada sobre temas fundamentais da condição humana — num lugar onde o silêncio também ensina a escutar.

