UIVO celebra 15 edições a imaginar mundo(s) sem guerra com a ilustração como ato de reflexão e resistência

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A Maia voltou a afirmar-se como território de criação, pensamento crítico e compromisso cívico com a inauguração da UIVO – Mostra de Ilustração, que abriu portas esta sexta-feira, 12 de dezembro, no Fórum da Maia. Naquela que é a sua 15.ª edição, a UIVO apresenta-se como a mais internacional de sempre e lança um desafio direto e necessário: “Como seria o Mundo (s)em guerra?”

Recusando a banalização da violência, a mostra convoca o público a imaginar mundos possíveis sem conflito, reconhecendo, porém, que pensar a paz implica confrontar a guerra. Até 1 de março de 2026, estarão patentes trabalhos de mais de 40 ilustradores nacionais e internacionais, numa programação que cruza exposição, espaço público, formação, edição e envolvimento comunitário.


A ilustração como manifesto

Promovida pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia e com curadoria e programação de Cláudia Melo, a UIVO 15 ocupa as galerias do Fórum da Maia, onde um dos espaços nobres foi transformado em Casa da Democracia — um lugar simbólico de refúgio, escuta e questionamento. A exposição assume-se como um manifesto visual, onde a ilustração se afirma enquanto linguagem política, poética e ética.

Ao longo do percurso expositivo, surgem registos de guerras históricas e contemporâneas, mas também visões utópicas de um mundo sem conflitos, colocando o visitante perante a brutalidade do presente e a pergunta essencial: como seria a humanidade se o amor fosse a nossa força motriz?


Arte viva, dentro e fora de portas

A UIVO estende-se para lá do espaço expositivo, num programa vasto que reforça a sua dimensão pública e participativa. Está confirmada a 2.ª edição do Mercado de Ilustração, no Café Concerto do Fórum da Maia, com editoras e ilustradores como Bartłomiej Kiełbowicz, Amanda Baeza, Cátia Vide, Helena Sá, Carolina Monteiro, Fabricia Melo, Vitoria Silis (MIEI), IPCA, entre outros.

Ao longo de três dias, o mercado integra oficinas criativas, hora do conto, lançamentos de livros, uma masterclass e workshop com Isidro Ferrer, uma das figuras mais reconhecidas da ilustração e do design gráfico espanhol, e a programação UIVINHO, pensada para os públicos mais jovens.


Destaques artísticos e performativos

Entre os momentos mais marcantes desta edição está a residência artística “The Children’s Dreams”, do artista palestiniano Fuad Alymani, que decorreu entre 11 e 14 de dezembro. O projeto envolve crianças e jovens (dos 10 aos 18 anos) em oficinas que exploram as perceções de viver em contextos de guerra e de paz, transformando paredes da exposição num território vivo de encontro e diálogo.

A partir de 12 de dezembro, o público pode ainda visitar a instalação tridimensional do coletivo 3 Pontos… (Ricardo Gonçalves, Jacinta Costa e Carlos Casimiro Costa), que trabalha a dicotomia guerra/paz. No exterior, destacam-se os cartazes de artistas ucranianos da campanha “Stand with Ukraine” e ilustrações do estúdio Aza Nizi Maza, conhecido por dar voz, através da arte, ao olhar das crianças em tempo de conflito.

No dia da inauguração, a Casa da Democracia acolheu uma performance simbólica do ator Pedro Lamares, surgindo em sussurro, no momento do voto, como um frágil mas persistente fio de esperança.


Um uivo que se espalha pela cidade

Fiel ao seu espírito, a UIVO volta a sair à rua com mais de 100 cartazes produzidos por estudantes do ensino superior, espalhados pelo concelho, num “uivo que espalha amor”. Na Praça do Fórum da Maia, estão expostas 11 ilustrações de alunos de instituições como a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, a Escola Superior de Educação do IPP, o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e a Universidade Lusófona – Centro Universitário do Porto.

As paredes exteriores do Fórum da Maia recebem ainda ilustrações em grande formato do artista mexicano David Álvarez, numa série composta por quatro obras.


Ao completar 15 anos, a UIVO – Mostra de Ilustração da Maia reafirma-se como um espaço onde criar é também resistir, congregando arte, comunidade e imaginação para pensar, coletivamente, um mundo (s)em guerra — e insistir, com firmeza, na possibilidade da paz.

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Créditos: Fuad Alymani | UIVO 2025

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